Independência do Haiti
A ocupação francesa
A nação francesa, impulsionada pelo fato de não ter participado da divisão do Tratado de Tordesilhas, deu início à busca por novos territórios no continente americano. Utilizando-se de corsários, saqueou navios e localidades comerciais litorâneas, fazendo com que alcançasse consideráveis melhorias em sua economia. Isso fez com que a colonização em terras americanas se tornasse cada vez mais acessível, como no caso da ilha de Hispaniola - os franceses, a partir da assinatura do Tratado de Ryswick e através do consentimento da nação espanhola (a qual já havia descoberto a ilha muitos anos antes), adquiriu as terras ocidentais da região e a batizou de São Domingos, estabelecendo seus colonos e exercendo sua desejada economia.

A colônia de São Domingos
Após a inicial ocupação do território adquirido, os colonos franceses pretenderam tornar São Domingos uma colônia de exploração. Por isso, adotaram a mão de obra africana escravizada e construíram grandes fazendas (plantations) voltadas à produção de gêneros tropicais. Essas medidas originaram consequências que, posteriormente, definiriam e caracterizariam a identidade daquela região. Entre elas:
- Grande comércio exterior francês (açúcar, rum, algodão e fumo), o qual gerou consideráveis ganhos e lucros;
- Desigualdade social - Elite (~10%) que vivia com riquezas e luxo; Negros (~90%) que eram sujeitos à fome, às doenças e aos maus-tratos;
- Grande promoção de fugas e formação de quilombos, o que aumentava as desigualdades sociais e transformava o ambiente num lugar hostil.

O levante escravo e o governo de L'Ouverture
Inconformados com a intensa opressão, os negros escravizados da colônia de São Domingos revoltaram-se contra os colonos franceses, dando início a um levante/movimento escravo que, com a fase jacobina na França (na qual foi abolida a escravidão das colônias), ganhou forças. Na condição de libertos, os negros escravizados foram liderados por Toussaint L'Ouverture, o qual conquistou o poder da ilha de Hispaniola, sendo que tomou da Espanha as terras ocidentais e aboliu o trabalho compulsório e escravo da região adquirida.
L'Ouverture, na função de governador-geral de São Domingos, tentou reorganizar a colônia economicamente, uma vez que as maiores riquezas obtidas na região eram obtidas através de algo que ele mesmo aboliu. Porém, surgiram dois grandes obstáculos em seu governo, sendo eles a forte oposição de senhores brancos e também a tomada do poder francês por Napoleão Bonaparte, o qual anulou as leis abolicionistas e invadiu a ilha. L'Ouverture foi morto, mas as lutas pela independência continuaram.

O ex-escravizado Jean-Jacques Dessalines, liderando um poderoso exército, conseguiu conter e infligir as tropas de Napoleão. Dessa forma, venceu os franceses militarizados e proclamou a independência. Com o lema "A união faz a força", São Domingos tornou-se a República do Haiti (denominação indígena da região - ahiti), sendo a segunda nação da América a se tornar independente (somente depois dos EUA) e a primeira a abolir a escravidão. Como consequência, foi idealizado o conceito de haitianismo, que se refere ao receio de colonizadores em relação à possibilidade de poderosos levantes escravos.
O Haiti nos dias de hoje
Além do esforço em lutar contra as tropas francesas, o Haiti também teve de pagar uma grande indenização para se tornar independente - aproximadamente 150 milhões de francos, os quais poderiam ter patrocinado e financiado melhorias para a região. É por esse e por outros motivos que, atualmente, o Haiti sofre uma grande crise humanitária, envolvendo governos ditatoriais, golpes militares, escassez de alimentos e altos índices de violência.

