Iluminismo💡
O que foi?

O iluminismo foi um movimento intelectual ocorrido na Europa nos séculos XVII e XVIII, o qual tinha como base a razão, a ciência, o liberalismo (religioso, político, econômico, etc.) e a limitação do poder real e da Igreja. Para os iluministas, a maioria das pessoas estava mergulhada na ignorância e no fanatismo religioso. Por isso, consideravam que devia-se duvidar das coisas que eram aceitas apenas por questões de tradição ou de autoridade. Dessa forma, a humanidade alcançaria a luz, o esclarecimento e o progresso através da busca por novos conhecimentos apoiados na razão.
Características gerais

Os iluministas se opunham ao Antigo Regime, um sistema político e social composto por determinadas características, como: absolutismo na política, onde o rei é soberano e todas as decisões político-administrativas são tomadas por ele; sociedade estamental, isto é, bem definida e dividida e com pouca mobilidade social; mercantilismo na economia, com objetivo de lucro e acumulação de riquezas; pouco liberalismo religioso, já que havia diversas maneiras de se compreender o mundo, mas nem todas eram respeitadas por todos (tensões e guerras religiosas). Em oposição a essas características, os iluministas propunham uma série de ideias a fim de combater as desigualdades e os conflitos da época: buscavam limitar o poder real e os privilégios do clero e da nobreza, impondo o liberalismo econômico (livre-comércio e livre concorrência) e o liberalismo político (pessoas com direitos e deveres iguais). Além disso, almejavam a obtenção de conhecimento em oposição ao fanatismo religioso.
Principais pensadores iluministas

John Locke
O inglês John Locke foi considerado um dos "criadores" do liberalismo político, já que formulou ideias baseadas no individualismo e na tolerância religiosa. Buscava derrubar o absolutismo na Inglaterra - sistema político que cada vez mais aumentava - através da elaboração de projetos que limitassem o poder real. Afirmava que as pessoas, ao nascerem, possuíam os mesmos direitos (direito à vida, à propriedade, à liberdade, etc.), e para que esses direitos fossem garantidos, deveriam ser criados governos. Porém, caso o governante exercesse qualquer forma de absolutismo, o povo não só poderia como deveria substituí-lo e retirá-lo do poder. John Locke também foi considerado um dos fundadores do empirismo, uma teoria que afirma que a absorção de conhecimentos se dá através das experiências.

Voltaire
O francês Voltaire* foi conhecido por criticar veementemente a Igreja Católica e a monarquia absolutista francesa e por combater fervorosamente a ignorância, o preconceito e também o fanatismo religioso. Por manifestar o que pensava, foi preso duas vezes na Bastilha, fazendo com que se refugiasse na Inglaterra, com medo de voltar à prisão em breve. Lá, passou a admirar as ideias inovadoras de Locke e começou a escrever textos que enalteciam o país britânico, já que este possuía limitações em relação ao poder do Estado e vigorava a liberdade tanto de expressão quanto de religião. Sua principal obra foi Cartas Inglesas, coleção de ensaios baseados nas vivências e experiências de Voltaire no país em que se refugiou. Sua frase mais marcante foi: "Posso não concordar com nenhuma palavra do que você disse, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las". *pseudônimo de François-Marie Arouet

Montesquieu
O jurista francês Charles-Louis de Secondat (Barão de Montesquieu) era um crítico severo e irônico em relação à monarquia absolutista e ao clero católico. Diferente de outros iluministas, preocupava-se em solucionar os problemas sociais, ao invés de somente apontá-los. Formou-se em direito na Universidade de Bordeaux, absorvendo grande conhecimento para formular ideias. Uma delas foi a de que, ao ter poder, o indivíduo tende a abusar dele. Por isso, alegava que era necessário evitar que o poder fosse concentrado na mão de apenas uma só pessoa ou exercido por um grupo de notáveis. Essa ideologia foi apresentada em sua principal obra, O Espírito das Leis. Montesquieu inspirou também a teoria da divisão política em três poderes autônomos - o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Diderot
O filósofo Denis Diderot tinha como objetivo tornar as pessoas instruídas, virtuosas e felizes através da difusão do conhecimento. Por isso, em companhia do matemático Jean D'Alembert, coordenou a edição de uma obra que reuniria, posteriormente, uma grande quantidade de saberes baseados em experiências de artistas, filósofos, cientistas, médicos, teólogos e outros profissionais - a Enciclopédia. Tal obra continha críticas ao regime político da época, o absolutismo, e também à Igreja. Por conta disso, chegou a ser proibida e retirada de circulação. Diderot pregava que as diferenças sociais deveriam ser extintas e que a Ciência levaria a humanidade a um constante desenvolvimento e a um notável progresso.

Adam Smith
Adam Smith foi considerado como o "pai do liberalismo econômico", já que defendeu conceitos como: a livre concorrência (derivada da livre iniciativa, que é o direito que uma pessoa tem de abrir o seu próprio negócio); o livre-comércio (modelo de mercado onde a troca de bens e serviços ocorre sem dependência do Estado) e a ideia de que a riqueza dos indivíduos é baseada somente e exclusivamente no trabalho. Smith considerava que todas as nações sairiam lucrando, caso produzissem apenas aquilo que conseguissem fazer melhor. Essa ideia foi muito bem recebida pela burguesia inglesa da época, pois o país estava cada vez mais se industrializando e desejava ampliar seu comércio.
